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ENTREVISTA

CSS | 28 de Outubro de 2016

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UM ARTESÃO DE MÃO CHEIA

POESIA

Um artesão de mão cheia, faz de Sr. José António Candeias Alexandre uma figura emblemática e bastante
carismática do Concelho do Seixal.
Pinhal Dias

Gungunhana.
(1839-1906)

P’los grandes interesses da história
Flui na mitologia Moçambicana
Com personagens de suma ilusória
Eleito Chefe Tribal Gungunhana
Muitas aldeias ficaram de luto
Rios jorravam lágrimas de sangue
Seus restos mortais jazem em Maputo
Gungunhana: -“A história se zangue”
Fogo sobre indefesos! Quem admite?
Gungunhana foi preso em Chaimite
P’lo capitão Mouzinho de Albuquerque
Relatos de actividades cruéis,
Mas é falso! “Disseram os fiéis”
Lição do passado, hoje se ergue

(In: “Musa da Existência”)

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Natural de Pêra Guarda, pertencente ao concelho de Ferreira do Alentejo,
José António Candeias Alexandre de
85 anos é uma figura mítica do concelho do Seixal, mais conhecido por
Tio Zé.
Confessa que desde miúdo teve um
fascínio por ferramentas, facto que se
pode comprovar através das suas obras
de arte em madeira. Começou a trabalhar muito cedo no campo, desígnio
presente na grande maioria das crianças dessa altura.
Aos 12 anos a sua primeira profissão foi a de guardador de porcos no
Alvito, onde se manteve até fazer os 18
anos. Nessa altura, começou nos trabalhos agrícolas; monda, vinhas, oliveiras e até a remover as
ervas dos campos, tarefa
esta a que José António
Candeias Alexandre definiu como almejar, palavra típica do Alentejo.

o Barreiro onde trabalhou nas descargas, trabalho muito duro afirmou,
onde permaneceu 6 meses com um
salário que rondava entre os 18 e os
20 escudos.
Voltou mais uma vez a Pêra Guarda, para trabalhar no campo. Nesta
altura o seu pai estava a guardar uma
propriedade como caseiro, onde viveram cerca de 12 anos.
Três anos depois, José António
Candeias Alexandre estava ligado
à construção naval no concelho do
Seixal e a reparações de navios passou
a ser o seu dia-a-dia.
Por fim, e até se reformar, esteve
numa empresa de construção, tendo a tarefa da colocação de alcatrão.
Entre as mudanças de trabalho, idas
e regressos, do Alentejo para o Seixal,
conheceu Custódia Camacho, alentejana de Ervidel, com quem se casou
aos 29 anos.

Passou por outros
trabalhos agrícolas, recorrendo ao utensílio de
debulhadoras e tractores para os executar.

Reformado e com mais tempo disponível, colocou a sua imaginação em
prática juntamente com a sua enorme
habilidade para criar as suas primeiras
peças em madeira.

Farto da vida do
campo, mudou-se para

A oficina é na sua sala de estar junto
a uma janela, com ferramentas casei-

ras e com um espaço muito limitado,
onde as futuras peças de arte começam a ganhar forma. Primeiro no papel, depois fisicamente.
Peças construídas em madeira retirada das caixas de fruta. O primeiro
trabalho foi uma caixa para colocar os
seus óculos, depois um leque e muitas
outras peças começaram a ter forma:
molduras, caixas com vários formatos
e utilidades, suporte para telemóvel,
abrigo para o seu canário quando colocado no exterior, etc.
Mas, sem dúvida, a peça mais emblemática que conquistou os presentes
na sala no dia da entrevista ao “Tio
Zé” foi o seu rádio. Com estrutura em
madeira, suporte para MP3 e caixa
para pilhas faz desta peça uma verdadeira relíquia.
Para a despedida, Dona Custódia
declamou um poema que se encaixa
perfeitamente na vida do “Tio Zé” e
na sua claro…
“Ervidel é a minha terra,
Na Quinta Nova nasci,
Por força das circunstâncias de lá saí”