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sociedade
CSS | 24 de Novembro de 2017
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Histórias Associativas (26)*
o vozeiro
Damas ao Bufete
Fernando
Fitas
DR
Rui Hélder Feio
PROBLEMAS EM PAGAR O
CRÉDITO? O BANCO DE
PORTUGAL AJUDA
P – para pagar algumas dívidas tenho
contraído outras. A coisa pode tornar-se
incomportável, que devo fazer?
R – Não é uma perspetiva animadora,
mas por vezes, a dificuldade de resolver
situações de desemprego ou de carência
financeira fazem com que os portugueses
com créditos não sejam capazes de cumprir as obrigações de contratos.
Aconselho a consultar um profissional
que procurará a solução que melhor se
ajuste ao seu caso.
Mas antes disso, pode começar por
consultar o Banco de Portugal que lançou
um descodificador que ajuda os portugueses a lidarem com este tipo de situação,
elencando todos os passos necessário para
resolver os problemas e entrar nos programas de ajuda.
Pode consultar o guia no site do Banco
de Portugal (https://www.bportugal.pt/page/
esta-com-dificuldade-em-pagar-prestacoes-do-seu-credito) e responder finalmente à per-
gunta: e se não conseguir pagar o crédito?
Nele, o Banco de Portugal faz aconselhamento de algumas soluções, como por
exemplo O PERSI – Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações
de Incumprimento – é um processo que
permite que o cliente e a instituição de
crédito negoceiem soluções para resolver
a situação de incumprimento, evitando o
recurso aos tribunais.
Quando é integrado em PERSI, o cliente tem direito a receber um documento
que o informe dos seus direitos e deveres
no âmbito deste procedimento.
A instituição de crédito deve avaliar
a situação do cliente e propor-lhe, sempre
que tal seja viável, soluções adequadas à
atual capacidade financeira, objetivos e
necessidades.
Durante a negociação, a lei dá ao
cliente um conjunto de garantias. A instituição de crédito está impedida de resolver o contrato de crédito, de promover
ações judiciais contra o cliente bancário
para recuperação do crédito e de ceder o
crédito a outras entidades.
Aconselhe-se junto da Rede de Apoio
ao Consumidor Endividado (RACE)
Para os clientes bancários em risco de
incumprimento ou com prestações de crédito em atraso é sugerido para a obtenção
de forma gratuita, a informação, o aconselhamento e o acompanhamento junto das
entidades que integram a Rede de Apoio
ao Consumidor Endividado (RACE).
Há ainda a referência ao Portal do
cliente endividado, com uma lista dos vários pontos de apoio, num mapa de Portugal.
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para duvidas@ruifeio.pt
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Certamente que por força dos sócios
terem acesso gratuito à generalidade dos
eventos promovidos pela colectividade, a receita da bilheteira não era muito
significativa, razão pela qual havia que
perspectivar outras fórmulas de gerar proventos. A mais vulgar, designada ‘Damas
ao Bufete’ ocorria sempre que havia baile e consubstanciava-se na interrupção
momentânea da dança para que cada
cavalheiro fosse solicitado a ofertar um
chocolate ou um bolo à respectiva dama.
“É evidente, que para evitar que alguns
se furtassem, diversos directores da sociedade se muniam, antecipadamente, de
uma bandeja com os referidos bolos e tabletes de chocolate, invadindo, subitamente, a
sala, antes da música parar, pelo que, todos
quantos andavam a dançar, não tinha possibilidades de escapar. Se acaso recusassem
a gentileza, isso era entendido como uma
falta de cavalheirismo e uma ofensa ao próprio par, que tomava logo a iniciativa de se
sentar.” Relata Caetano Veríssimo.
“ Com esse estratagema é que se fazia o
lucro de cada baile, porquanto a cobrança
dos bilhetes de ingresso não tinha quase
expressão. Tão reduzido era o número de
forasteiros que aqui acorriam. Só assim se
tornava possível chegarmos ao fim do mês
e termos dinheiro para pagar ao mestre da
banda e o aluguer da sede.”
É evidente, que a realização de qualquer evento, por mais banal que o mesmo
fosse, acarretava, necessariamente, um
conjunto de encargos. No caso dos bailes,
as autoridades locais exigiam antecipadamente o pagamento da respectiva licença
e no dos arraiais ainda uma taxa de 7$50
por cada vara espetada no solo.
“E no fim do arraial tínhamos de retirar as varas e tapar os respectivos buracos.
Era um caso sério, arranjar o dinheiro para
pagar todas estas alcavalas.” Diz. “ Muitas
vezes tivemos que ser nós a pagar da própria algibeira essas e outras despesas.”
Elemento das orquestras de Jaz, “Os
Marrafinhas” e os “Feijão Verde”, cuja
função primeira era a de animar gratuitamente os bailaricos promovidos pela
colectividade, Caetano Veríssimo, reporta
ainda a realização de algumas cavalhadas,
igualmente com o objectivo de angariar
fundos, e cujos prémios eram doados
pelas pessoas da terra.
“Um dava uma galinha; outro, um
peru; outro um coelho, outros ofereciam
outra coisa qualquer. E assim se arranjavam os prémios. Quando estes não chegavam, pendurávamos algumas latas com
água e os que intentavam tirá-las, acabavam por tomar banho com as respectivas
montadas.” Recorda. “O povo delirava
com aquilo. Um fartote.”
O Encalhe da fragata
e a paragem da banda
Avivada a memória por este desfiar de
histórias tarde fora, recupera igualmente
a aventura de uma viagem de regresso do
Barreiro, onde a banda fora actuar por
ocasião da festa da Nª. Srª. do Rosário.
“Considerando que a Sociedade não
tinha condições para assumir as despesas de deslocação em camioneta, a Mundet emprestou, uma das suas fragatas de
transporte de cortiça para que a banda
não faltasse a esse compromisso. Essas
fragatas, diga-se, não possuíam motor,
pelo que, somente, navegavam à vela.
Para lá, a viagem correu sem novidades. Mas na volta, o fragateiro, confundido eventualmente, pelo efeito dos copitos
que bebera, baralhou-se com a rota e
tomou o rumo de um baixio, acabando
por encalhar o barco a meio caminho.
Ante este contratempo, tivemos que ali
permanecer o resto da noite, aguardando que a maré subisse o suficiente para
libertar a embarcação e, assim, voltarmos a navegar. Já ia alta a manhã quando desembarcamos, perdidos de sono, no
Seixal.”
Homem simples que de simplicidades
várias se contenta, Caetano Veríssimo,
dias depois de haver prestado o seu testemunho, considerou, no entanto, que o
seu depoimento não se encontrava completo, dado que não fizeram expressa
referência aos diversos maestros da banda
com quem trabalhara.
“Seria injusto da minha parte” salienta, “não mencionar os homens que
durante os cinquenta anos em que nela
permaneci, me ajudaram a enriquecer o
conhecimento que eu tinha da música e
da vida. São eles: Carlos Soares Oliveira,
Joaquim Pinto, António Gonçalves, Joaquim Jorge, Luís Santos, Leal Calqueiro e
o António Baptista.”
Relatos de quem, por carolice, dedicou
à Sociedade Filarmónica União Arrentelense o maior quinhão da sua vida. Mas,
também, por amor à música e aos nobres
valores do associativismo.
* Excertos de “Histórias Associativas
– Memórias da Nossa Memória – 1º Volume As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal 2001
ROSTOS DO SEIXAL
Miguel Pina Martins (1985)
Seixalense natural de Lisboa, os primeiros anos de estudo foram feitos no Seixal,
local onde reside. Ainda jovem demonstrou interesse pela atividade financeira
tendo também feito a sua escolha académica para essa área de estudo logo nos
primeiros tempos de ensino secundário.
Ingressou no ISCTE do Instituto Universitário de Lisboa no curso de Finanças em
2002, tendo terminado o mestrado em
Gestão na mesma instituição em 2009.
Atualmente frequenta o Doutoramento
em empreendedorismo.
Aos dezanove anos, foi eleito Deputado Municipal no Seixal, sendo ainda presidente da Juventude Social Democrata
(JSD) do Seixal durante cinco anos e presidente da JSD Distrital de Setúbal.
Em 2008 cria a Science4you S.A.,
empresa que se dedica à produção, desenvolvimento e comercialização de equipamentos científicos como brinquedos e
material de laboratório.
É condecorado pelo Presidente da
República a 10 de junho de 2015 com o
oficialato da Ordem do Mérito Empresarial - Classe do Mérito Comercial.
Mário Barradas
