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Saúde

CSS | 24 de Novembro de 2017

10

Ricardo Alves
Médico Interno Saúde Pública
Unidade de Saúde Pública
HIGEIA|ACES Almada-Seixal

steVia
Fitoterapia

Miguel Boieiro

DOENÇA PULMONAR
OBSTRUTIVA CRÓNICA
As doenças respiratórias crónicas
colocam desafios crescentes aos sistemas de saúde e relacionam-se não só
com os efeitos a curto e longo prazo do
tabagismo, mas também com o aumento progressivo da esperança de vida
das populações.
Em 2015 a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) foi a 4ª causa
de morte no mundo, prevendo-se que
em 2030 ocupe o 3º lugar desta lista
com cerca de 4,6 milhões de vítimas.
Em Portugal a prevalência estimada
é de 14,2% em pessoas com 40 ou mais
anos. Em 2016, nos Cuidados de Saúde
Primários dos concelhos de Almada e
Seixal estavam inscritos 4398 utentes
com DPOC, tendo-se registado 157 internamentos no Hospital Garcia de Orta
com este diagnóstico principal.
A DPOC é mais prevalente no sexo
masculino e surge habitualmente a
partir dos 40 anos de idade, caracterizando-se por sintomas respiratórios
crónicos e progressivos (tosse, expetoração, dispneia, cansaço com atividade física e pieira), e com limitação ao
fluxo de ar, resultantes da exposição
significativa a partículas ou gases nocivos. O tabagismo é o principal fator
de risco sendo importante relembrar
a existência de consultas de cessação
tabágicas disponibilizadas pelo nosso
ACES em Almada e Seixal.
A DPOC é prevenível e tratável,
mas muitas vezes apenas é diagnosticada quando já afeta significativamente a qualidade de vida do paciente. Assim, devem considerar a consulta com
o seu Médico Assistente as pessoas que
apresentem os sintomas referidos anteriormente e tenham história de exposição a tabaco, poeiras ou gases.

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Para este escriba curioso da botânica, o
que mais surpreendeu na visita efectuada
à “Biofach”, maior feira mundial de produtos biológicos, que se realiza todos os
anos em Nuremberga, foi a intensa divulgação e a grande variedade de alimentos
que integravam a stevia, como elemento
substituto do açúcar. Prevejo que, muito
em breve, tenhamos em Portugal a promoção da stevia que é ainda, entre nós,
pouco conhecida.
Ora a stevia é uma erva plurianual, ou,
vá lá, um arbusto que eu já conhecia desde o simpático convite do meu amigo Dr.
Gonçalves Pereira para visitar a sua quinta
de raridades botânicas, lá para os lados da
Anadia. Trata-se de uma planta tropical,
oriunda da zona do Paraguai, que pertence à família das Compostas ou Asteráceas e
que engloba cerca de 40 espécies.
A que nos interessa denomina-se
Stevia rebaudiana Bertoni. O botânico
suíço Moisés Bertoni foi quem primeiro descreveu esta planta que pode medir
80 cm de altura e possui pequenas flores esbranquiçadas e raiz perene e fibrosa, proporcionando múltiplos rebentos.
Acrescenta o Dr. Gonçalves Pereira um
facto curioso: a folhagem, quando caída
no solo, dificilmente se biodegrada ou é
destruída por insetos.
Parece que os índios guaranis já utilizam a Stevia rebaudiana há séculos, como
adoçante do “chá” de erva-mate e remédio eficaz para várias enfermidades.
A análise química das suas folhas apresenta dois compostos de sabor adocicado:
o esteviosídeo e o rebaudiosídeo A que são
200 a 300 vezes mais doces do que a própria sacarose proveniente da cana do açúcar. Aliás, em relação ao açúcar apresenta
apreciáveis vantagens porque não altera o
nível da glicose no sangue, não contém
calorias e é absolutamente natural, ou

seja, é isenta de ingredientes
artificiais.
Há todavia um “inconveniente” de peso porque
a planta cresce espontaneamente e não pode ser
patenteada. Logo, coloca em
perigo a rendibilidade das
agressivas
multinacionais
de edulcorantes que tudo
fazem, muitas vezes sem
qualquer escrúpulo, para
obter chorudos lucros. Tem
havido uma autêntica guerra
à stevia movida pelos fabricantes de aspartame (um
autêntico veneno) e de outros adoçantes
químicos preparados para diabéticos. Nos
Estados Unidos da América e na União
Europeia baniu-se inicialmente a venda
de produtos com stevia e mais tarde lá
se admitiu a comercialização, mas com
fortes restrições. Entretanto, a China
tornou-se o principal produtor mundial,
enquanto o Japão que já fabrica e utiliza
extratos de stevia há trinta anos, é hoje
o seu maior consumidor, onde o produto representa cerca de 40% do respetivo
mercado de adoçantes.
Efectuadas várias análises químicas e
estudos, eles confirmaram as vantagens
da stevia, cujo emprego corrente chegou
a ser proibido nos EUA por pressão do
poderoso “lobby” industrial de adoçantes
artificiais, como antes se aludiu.
Para além dos glicosídeos já mencionados (estiviosídeo e rebaudiosídeo),
detetaram-se outros princípios ativos
importantes, saponinas, taninos e óleo
essencial, formando um todo harmónico
não fermentável e com pH estabilizado.
Estão comprovadas as propriedades
medicinais desta planta singular, como a
de exercer efeitos calmantes sobre o sistema nervoso, eliminar a azia, reduzir a

fadiga, a depressão e as insónias e controlar a hipertensão arterial. Verifica-se
ainda que estimula as funções digestivas
e cerebrais, faz baixar os níveis de ácido
úrico e favorece a eliminação de toxinas.
É particularmente útil no caso da diabetes, dado que substitui o açúcar, não
deixando qualquer sabor residual e permitindo a redução da quantidade de insulina ministrada diariamente aos doentes.
No Brasil usa-se a infusão da planta
para combater a diabetes, picando a stevia
seca a qual é deitada sobre água a ferver.
Dizem que basta apenas uma colher de
chá por chávena, deixando repousar dez
minutos e tomar duas vezes por dia no
intervalo das refeições.
Apesar da poderosa movimentação
contra a stevia, usando vários argumentos como, por exemplo, a de possuir ação
anticoncecional, diversas empresas de

suplementos alimentares já comercializam quer o esteviosídeo, quer o rebaudiosídeo, componentes adoçantes extraídos
naturalmente das respectivas folhas, cuja
apresentação é de um simples pó branco.
Na casa particular onde fiquei alojado, em Nuremberga, ao abrigo do sistema esperantista “Pasaporta Servo”, tive
oportunidade de verificar o uso corrente
dessas substâncias na dieta alimentar dos
residentes.
Fiquei fortemente convencido de que
se trata de um elemento revolucionário
na actual ciência da nutrição, constituindo uma alternativa ideal para as pessoas
diabéticas ou para as que seguem regimes
de emagrecimento, prevenindo o abuso
do açúcar. Por outro lado, afasta os efeitos colaterais, comprovadamente nocivos,
dos edulcorantes fabricados através de
processos de química de síntese que só
logram singrar porque o lucro fácil continua, infelizmente, a ter a primazia na
sociedade propagandística e consumista
que nos enleia.