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ENTREVISTA

CSS | 06 de Outubro de 2017

8

MENTAL
COACH

"HOJE EM DIA POSSUIR
UM MENTAL COACH NUM
CLUBE, NÃO É UM “LUXO"
É ABSOLUTAMENTE
ESSENCIAL"

O Seixal Clube 1925 e a Dr.ª Paula Martins
vão iniciar uma parceria de mental coaching
tendo como alvo jogadores e equipas
técnicas do clube seixalense. O "Comércio"
esteve então à conversa com a mental coach
Dr.ª Paula Martins para saber como chegou
a esta área, saber também um pouco mais
desta parceria e que benefícios pode trazer
para a estrutura do Seixal Clube 1925,
tendo em conta que será o primeiro clube do
concelho a trabalhar no reforço da vertente
psicológica.
Comércio do Seixal e Sesimbra: Como
decidiu enveredar pela área do mental
coaching?
Paula Martins: Eu estive sempre ligada à área
do Coaching e ao desenvolvimento pessoal.
Trabalhei durante 25 anos em empresas
nacionais e multinacionais como Diretora de
Recursos Humanos. O meu trabalho incidiu
sempre sobre o desenvolvimento das pessoas,
tirando o melhor que elas têm, ajudando-as
no seu autoconhecimento e treinando-as
para melhorarem as suas competências, ao
nivel da sua atitude e comportamento. O
objetivo principal era que elas alcançassem
mais e melhores resultados quer a nivel
pessoal, quer a nivel profissional.
Há 3 anos a esta parte lancei o meu próprio
projecto empreendedor, sendo atualmente
responsável pela empresa SkillUp-Life

Coaching que se dedica ao desenvolvimento
pessoal e treino de adultos, jovens,
desportistas e empresários com o objetivo de
melhorarem a sua "performance" nas várias
vertentes da sua vida.
Gostaria de destacar o meu trabalho com
uma atleta adolescente da alta competição
na modalidade de surf, cujo trabalho foi
muito interessante e com resultados muito
bons, com prémios ganhos.
O mental coach também pode ser usado
na vida pessoal?
Claro que sim! Pode e deve. Temos de ser
nós a controlar a nossa mente e não a nossa
mente a controlar-nos. É fundamental todos
os dias de manhã programarmos a nossa
mente para termos pensamentos positivos e
automotivarmo-nos; só assim conseguiremos
atrair coisas positivas para a nossa vida e
alcançar os objetivos a que nos propomos.
E como surgiu a oportunidade de começar
a colaborar com o Seixal Clube 1925?
A oportunidade surgiu através de uma
conversa com o Eduardo Santos que é
actualmente treinador do clube, e também foi
meu colega de turma no ensino secundário.
Encontramo-nos
ocasionalmente
no
ginásio, onde ambos treinamos, e como já
não nos víamos há sensivelmente 15 anos,
partilhámos um pouco as nossas histórias
de vida, e do nosso percurso profissional.

Nessa conversa, apercebemo-nos que ambos
estávamos em áreas complementares;
o Eduardo como treinador e eu como
coach. Partilhei com o Eduardo que
acompanhava como coach uma atleta de
alta competição na modalidade de surf e
rapidamente percebemos que poderíamos
explorar possíveis sinergias no clube que ele
representa.
Quais os objectivos da parceria?
Os objetivos desta parceria passam por dotar
os treinadores e atletas das ferramentas
necessárias, bem como treiná-los do ponto
de vista comportamental e mental, de
maneira a obterem resultados positivos.
Todo este processo deve ser conduzido por
um Coach profissionalmente habilitado.
Hoje em dia a competitividade de qualquer
modalidade desportiva, exige por parte
dos técnicos e dos atletas um conjunto de
habilidades, atitudes e modelos de treino que
terão de ir mais além do que a componente
meramente técnico-táctica.
Que resultados pretende alcançar?
Temos noção que estamos a iniciar um
trabalho que não se fazia até então, e como
tal, nesta fase pretendemos trabalhar juntos,
no sentido de dotar os treinadores e os
atletas das ferramentas e das condições que
lhes faltavam. Fazendo este trabalho, não
temos dúvidas que os resultados positivos

surgirão a curto prazo.
De que forma o mental coaching pode
influenciar resultados ou comportamentos?
Um mental coach devidamente habilitado
ao serviço de um clube, funciona como
um catalisador dos processos de mudança,
ajudando a traçar objetivos e a definir
estratégias, bem como a treinar atitudes
e comportamentos que determinam os
resultados das equipas. Hoje em dia possuir
um mental coach num clube, não é um
“luxo" é absolutamente essencial.

muitos foram os autarcas do PSD que
durante o último ciclo governaram
com manifesto distanciamento face à
matriz ideológica de Passos Coelho, quer
enquanto Primeiro-Ministro, quer mais
tarde enquanto líder da oposição. Não
parece pois que, relativamente ao PSD
se possa ver nos resultados destas eleições
um mero efeito daquilo que de pior é
apontado ao partido, a nível central. E
também será excessivo afirmar que em
todas as Câmaras Municipais perdidas
pelos sociais-democratas para o PS,
aqueles escolheram mal os respectivos
cabeças de lista. Há certamente uma
outra causa mais profunda que levou à
significativa alteração do posicionamento
dos habituais eleitores do PSD. Creio que
se trata de uma mudança conjuntural da
consciência política comum. Hoje a ideia
de votar à esquerda tornou-se simpática.
Uma esquerda que não contenda com os
princípios dos habituais simpatizantes do
PSD só poderá ser a esquerda do PS. O
PS tornou-se assim num partido de uma
certa moda, ou se se preferir, de uma
nova atitude, pretensamente modernista.
Sem que Passos Coelho o tenha previsto,
ele rotulou o eleitor social-democrata de
figura desagradável, antiquada, com olhar

bafiento sobre a vida política e económica.
O ideal PSD deixou de corresponder ao
da maioria dos portugueses, sobretudo
dos jovens. Isto paga-se em eleições
autárquicas, e muito mais se pagará em
legislativas se até lá o partido não afastar
de si o cheiro da naftalina.
E o que dizer sobre a verdadeira sova que
a CDU levou? Neste caso já não parece
ser de aceitar a ideia de que a derrota da
CDU assenta numa reacção à vetustez
das suas estruturas ou aos discursos
gastos, que nem mesmo a meia dúzia
de candidatos jovens pode contrariar.
Com efeito, há muitos anos que esta é a
realidade da coligação, sem que isso tenha
constituído obstáculo à sua sistemática
reeleição em municípios onde governava
desde 1974. Também não se pode dizer
que cessaram as elevadas abstenções nesses
municípios, passando os abstencionistas
a votar noutros partidos, desequilibrando
assim os respectivos panoramas políticos.
O que, efectivamente parece ter mudado
é um outro aspecto, de natureza mais
concreta e prática, que se prende com
a forma como os autarcas da CDU se
permitiram passar a governar no último
ciclo. Intensificaram ainda mais o
alheamento face às críticas das populações.

Governaram para uma restrita clientela.
Engordaram estruturas burocráticas,
inúteis ou ineficazes. Deixaram de ouvir
as suas caixas de ponto, ou estas só lhes
disseram aquilo que queriam ouvir. O
pecado da preguiça e soberba foi-lhe,
finalmente cobrado.
Mas do contraponto de tudo isto resulta,
igualmente uma outra inquietação, que
se prende com aquilo que se pode esperar
do PS, seja enquanto novo governo
autárquico nas Câmara Municipais que
conquistou, seja enquanto oposição
reforçada noutras tantas onde conseguiu
por termo às maiorias absolutas de outros
partidos (é este o caso no Seixal). Ora,
sem embargo de ser necessário dar espaço
e tempo para perceber o que daí resultará,
ficam contudo sérias dúvidas a propósito
do que poderá mudar para melhor,
desde logo porque o PS não cuidou em
se preparar para um resultado com o
qual não contava, levando para diversas
autarquias gente muito impreparada,
capaz de lhe infligir danos políticos
consideráveis e de esvaziar o efeito da
mudança.
O tempo ajudará a responder a estas e
outras questões que as eleições vieram
levantar.

João Domingues

OPINIÃO

João Araújo

Depois de arrefecidos os ânimos em
torno dos resultados das autárquicas,
começam a surgir algumas interrogações,
para as quais as respostas não são óbvias.
A primeira pergunta é, naturalmente,
o que motivou a hecatombe do PSD
e da CDU? É que se o PSD sofreu
o desgaste, por um lado dos anos de
governo nacional assente em politicas
de austeridade e por outro do alegado
sucesso do governo do PS, ainda assim
não podemos deixar desconfiar destas
pretensas explicações, pois localmente