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Cultura

CSS | 21 de Julho de 2017

4

Histórias Associativas (18)*

o vozeiro

Rui Hélder Feio

Um filarmónico que dedicou
toda a sua vida à União
“A Banda não tinha
mãos a medir“

DIVÓRCIO
Ao longo do tempo as relações entre pessoas levou à instituição do casamento.
Trata-se de um contrato entre duas pessoas que tinha como princípio a constituição
de uma família. Até ao século XIX, o casamento era visto nas sociedades ocidentais
meramente como um acordo comercial entre
duas famílias sem que os dois intervenientes
tivessem muito voto na matéria. O romantismo veio alterar esta imagem e passou-se
então a existir o conceito de casar por amor.
Até 5 de junho de 2010, o casamento era
reservado apenas a pessoas de sexo diferente,
passando a ser aceite legalmente entre pessoas do mesmo sexo, com todas as vantagens
sociais e fiscais inerentes.
Até o século XX, era comum que o casamento fosse visto quase como algo indissolúvel (embora pudesse ser anulado), não
havendo reconhecimento legal do divórcio.
Com a implantação da República, com apenas um mês de vigência desse novo sistema
politico, o divórcio passou a ser legal.
Ora, ninguém é obrigado a permanecer
vinculado a um contratopara toda a vida,
mesmo que se trate de um casamento.
Quando os casais deixam de funcionar
numa base de entendimento, não é necessário que permaneçam nessa situação indesejável.
Surge então a possibilidade do recurso ao
divórcio. Este pode ser de comum acordo,
felizmente a maioria dos divórcios em Portugal, o que revela um amadurecimento da
sociedade civil, ou com recurso ao divórcio
sem consentimento do outro cônjuge.
Hoje vou abordar apenas o divórcio de
comum acordo.
Desde que não hajam crianças menores,
torna-se simples de resolver, basta recorrer
a um Solicitador ou advogado que tratará
junto da conservatória do Registo civil e do
serviço de finanças, de todo o processo com
vista à obtenção do desejado divórcio.
Primeiro através de um requerimento feito à Conservatória do Registo Civil, expõese os factos e bens comuns do casal assim
como o destino a dar-lhes, e depois através
de uma escritura de partilhas, oficializa-se as
pretensões de ambos. Deverão constar nessa escritura os bens sujeitos a registo, dando
lugar ao pagamento dos impostos inerentes.
De referir que os cidadãos, desde que de
comum acordo, também podem pessoalmente na Conservatória do Registo Civil, ou
ainda através da internet - Portal do Cidadão.

Figura
emblemática
da
União
Seixalense, Manuel da Costa Rebelo,
83 anos, vulgarmente conhecido pela
alcunha de ‘Parrana’, é um dos muitos
filarmónicos que dedicou quasí toda
a sua vida à casa que desde criança se
habituou a frequentar e onde, aliás,
começou a soletrar as primeiras notas
musicais.
Tinha doze anos quando foi para a
estante e, desde então, nunca mais
deixou a banda na qual ainda hoje
toca clarinete. Tão duradoura ligação
à estrutura mais representativa da
chamada ‘Sociedade Nova’ e os laços
de efectividade que por ela forjou,
levam Manuel de Costa Rebelo (que faz
questão de ser tratado de “Parrana”), a
emocionar-se logo que instado a relatar
alguns dos episódios que, ao cabo de
tantos anos, teve oportunidade de
presenciar.
O seu depoimento, é, pois, um
testemunho sentido que, a espaços,
atinge a comoção. A voz embargase-lhe, os olhos fitam-nos marejados.
Um recuar no tempo que, por vezes,
exige algumas pausas para recuperar o
fôlego, mas que não é suficiente para
lhe toldar a clareza das lembranças que
guarda acerca das inumeráveis vivências
que a vida lhe permitiu desfrutar com
várias gerações de músicos e que ora se
dispôs a partilhar com todos aqueles
que consideram as colectividades uma
escola de virtudes. humanas, cívicas e
culturais, como o devem ser todos locais
de aprendizagem e saberes.

para as despesas, não havia outra solução
que não fosse a de aguçar o engenho e
lançar mão de um ou outro pequeno
expediente que permitisse ultrapassar as
dificuldades. “Nesses casos,” confessa,
“cuidávamos de observar os locais onde
houvesse madeira que se nos afigurasse
capaz de servir os nossos intentos e
pela calada da noite transportávamola para um barracão dos escuteiros que
servia de armazém aos festejos. Um
estratagema pouco correcto, é certo.
Porém, com o dinheiro poupado na
madeira, poderíamos adquirir o resto
dos materiais de que o arraial carecia.”
Sem contar com nenhum tipo de apoios
para além dos que lhe eram dispensados
pela população e pelos associados, a
colectividade via-se ainda obrigada a
pagar à câmara uma taxa por cada grade
de bebida vendida. “No final de cada
noite,” recorda, “lá estava o fiscal junto
ao coreto da sociedade (então existente
no Largo Luís de Camões), para conferir
o número de grades de pirolitos, sumos
ou cervejas vendidas. Tratava-se, a meu
ver, de uma forma de explorar o trabalho
da colectividade, a quem nada dava para
ajudar a realizar o arraial.”
*Excertos de “Histórias
Associativas- Memórias
da Nossa Memória –
1º Volume As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do
Seixal.-2001

ROSTOS DO SEIXAL
DR

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“Logo que integrei o
corpo da banda”, diz,
“ passei a andar numa
‘roda viva’, pois todos
os dias tínhamos
saídas, especialmente
no Verão, por mor
da
catadupa
de
convites que lhe eram
dirigidos, em virtude
de se tratar de uma
formação constituída
- como, aliás, sempre o foi - por um
bom naipe de músicos que executavam
um reportório diversificado e de grande
qualidade artística.”
Embora creia que o volume de
solicitações se revelava bastante
gratificante para quantos dela faziam
parte sendo, por isso, entendido com
um reconhecimento do seu valor,
não deixava, contudo, por se mostrar
desgastante. “Ele era uma noite no
Lavradio, na noite seguinte na Moita, na
outra em Palmela, em Sobral de Monte
Agraço, Pêro Pinheiro, Nazaré e por
aí fora… Levávamos semanas inteiras
nisto. Com a agravante, de, no outro
dia, termos de ir trabalhar.” Afirma.
Enquanto relembra ainda os afazeres a
que se entregava nos dias que a banda não
saía por mor da preparação dos arraiais
populares que a União organizava,
‘Parrana’ adianta que “ durante o tempo
em que eu andava
à busca de madeira
para
a
montagem
dos
arcos,
minha
mulher - membro da
comissão ‘Os Anjinhos
Enrascados’ - percorria,
de porta em porta, as
rua do Seixal vendendo
rifas, de maneira a que
se arranjasse o dinheiro
para comprar papel,
tinta e tudo o mais que
era necessário.”
Mas quando o resultado
apurado não chegava

Fernando
Fitas

Ricardo de Azevedo
Toscano (1991)
Natural de Lisboa, Ricardo Toscano
desenvolveu uma ligação com a música
desde muito cedo por intermédio do
pai, que também é músico. Aos 8 anos
começou a aprender clarinete na Sociedade
Filarmónica Operária Amorense, aos
13 entrou no Conservatório Nacional
na classe de clarinete, onde estudou
dois anos, e aos 15 ingressou na Escola

Profissional Metropolitana na classe
de clarinete de Jorge Camacho, Nuno
Gonçalves e João Ramos. Aos 16 começou
a frequentar a Escola de Jazz Luiz VillasBoas, na classe de saxofone de Desidério
Lázaro, com quem estudou dois anos. Aos
17 entra na Escola Superior de Música
de Lisboa, no regime de sobredotado.
Já teve aulas/masterclasses com: Danilo
Perez, Wynton Marsalis, Greg Osby, João
Moreira, Pedro Moreira, Miguel Zenon,
Aaron Goldberg, Kurt Rosenwinkel, Joe
Lovano, Ben Street, George Garzone e
muitos outros. Ricardo Toscano é um
conceituado músico de jazz tocando com:
Nelson Cascais, André Fernandes, Óscar
Graça, Júlio Resende, Afonso Pais, Bruno
Pedroso, João Moreira, Carlos Barretto,
Alexandre Frazão, etc. Em 2011 formou o
Ricardo Toscano 4teto com André Santos,
João Hasselberg e João Pereira, formação
que ganhou a 25ª edição do Prémio Jovens
Músicos na categoria de Jazz.

Em 2011 teve também o privilégio de
participar no disco Os fados e as canções
do Alvim do grande mestre Fernando
Alvim.
Colaborou com artistas como Fafá de
Belém, Carlos do Carmo, Camané, Rui
Veloso, António Zambujo, Carminho,
Amélia Muge, Cristina Branco e outros.
Conta com muitas participações
em discos, tanto na área do jazz como
noutras. O seu mais recente projecto é em
quarteto com João Pedro Coelho, Romeu
Tristão e João Pereira.

Mário Barradas