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Saúde
CSS | 21 de Julho de 2017
10
Susana Alves e Vanda Pinto
Técnicas de Saúde Ambiental
USP HIGEIA
ACES Almada-Seixal
Resíduos nos Festivais
Estão aí os Festivais de Verão e com
eles vêm associados alguns problemas
ambientais, nomeadamente o excesso de
resíduos produzidos.
A pegada ecológica de um
"festivaleiro" é elevada. Num grande
festival em Portugal a água consumida
seria suficiente para encher quatro
piscinas olímpicas, o combustível gasto
permitiria 5500 viagens de autocarro
entre Lisboa e o Porto, os resíduos
produzidos encheriam 200 camiões
de lixo e as emissões de Dióxido de
Carbono equivaleriam a 850 viagens de
avião entre Lisboa e o Porto.
A melhor maneira de lidar com os
resíduos que se produzem num evento
é planear desde o começo o que será
feito com eles,promovendo eventos
sustentáveis, o que tem impacto positivo
noespetador, nas entidades promotoras e
também na comunidade.
Para mitigar o desperdício e a
produção excessiva de resíduos, alguns
festivais promovem já um conjunto de
boas práticas ambientais: cada espetador
adquire um copo reutilizável durante o
festival, sempre que queira uma bebida,
todos os restaurantes usam material
biodegradável, é incentivada a criação
de composto com restos de comida e
também o reaproveitamento do óleo
vegetal. É promovida a distribuição
de brindes em material reciclável e
a utilização de meios de informação
digital. A nível do recinto a reutilização
deinfraestruturas de edições passadas
e de outros eventos realizados pela
organizaçãoé também uma boa prática
ambiental.
É preciso reduzir. Sempre que possível,
optar por materiais recicláveis e tentar
reutilizar o que pode ser reutilizado.
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Maracujá
A fala com que hoje nos expressamos tem
evoluído ao longo dos tempos e prossegue
a sua evolução porque recebeu e continua
a receber influências de outros idiomas de
várias partes do mundo. Embora a matriz
gramatical da língua portuguesa seja o
antigo latim, são muitos os topónimos
e as palavras provenientes dos povos da
Índia, da China, da África, do Brasil, a
par de galicismos e anglicanismos que
atualmente enxameiam o nosso linguajar
quotidiano. Outrossim, o português,
que no século XVI era a língua franca
das terras limítrofes do Oceano Índico
e do Sudoeste do Pacífico, introduziu
vocábulos no indonésio, no malaio, no
cingalês, no hindi, no concani, no tétum,
no chinês, no japonês e até no coreano.
Vem isto a propósito do termo
“maracujá”, cuja proveniência deriva do
tupi-guarani, falado em terras de Vera
Cruz. O seu significado é, mais ou menos,
“fruta contida numa vasilha constituída
pela sua própria casca”. Nada de mais
certo e concreto.
Todavia, na maior parte das línguas
europeias o maracujá é designado por
fruto-da-paixão ou martírio. Porquê?
Ora porque os missionários jesuítas na
sua ânsia de converterem os ameríndios,
relacionaram a flor do maracujá com o
episódio bíblico da paixão de Cristo. Lá
está a proeminente cor roxa, os filamentos
que simbolizam a coroa de espinhos, os
três pistilos que fazem lembrar os três
pregos utilizados na crucificação e os cinco
estames que vêm mesmo a calhar para as
cinco chagas de Cristo. As pétalas são
apenas dez, mas o problema resolveu-se.
Elas representam dez dos doze apóstolos,
visto que o Judas ficou de fora por razões
óbvias e também o Pedro, visto que, por
três vezes, negou o seu Senhor.
E pronto, a história resultou. Chegaram
mais indígenas ao Reino de Deus e o nome
científico da planta passou a ser Passiflora
edulis. Até a respetiva família botânica
ficou cristianizada com a designação de
Passifloraceae. Só alguns é que insistiram
no nome de maracujá que, para nós
pecadores, nos parece muito mais sonante
e significativo.
A família das Passifloraceae tem perto
de quatrocentas espécies, havendo vastas
dezenas com frutos comestíveis. Embora
de proveniência tropical, algumas espécies
dão-se bem no continente português se
não houver geadas. Os maracujás mais
suculentos são, no entanto, os produzidos
nos arquipélagos da Madeira e dos Açores
onde servem de base a afamados doces e
licores.
O maracujá é uma trepadeira com
gavinhas espiraladas que chega a atingir
nove metros de extensão. É provido
de folhas trilobadas ou lobadas com
bordadura serrilhada, alternas, verdeescuras, lisas e perenes. As flores são lindas
e despertam a paixão como já acima foi
descrito. Os frutos formam bagas ovais
ou arredondadas que podem ir até aos
10 cm de diâmetro. A polpa, gelatinosa
e sumarenta, contém numerosas sementes
negras, pouco rijas, que se mastigam
facilmente. A casca, que é coriácea, pode
ser amarela, laranja, vermelha, castanha,
ou púrpura, conforme a espécie.
Já há quem plante e comercialize
maracujazeiros no nosso País devido
ao crescente valor comercial dos frutos.
Eles precisam de calor e de solos leves,
bem drenados e profundos, embora o seu
Miguel Boieiro
Há quem recomende o maracujá como
tratamento coadjuvante para diminuir a
frequência das crises de epilepsia.
Dado que também tem propriedades
analgésicas e hipotensoras, pode ajudar
nos casos de espasmos, enxaquecas,
cólicas e hipertensão arterial.
O Dr. Lyon de Castro na sua “Medicina
Vegetal”, para além da tisana e do extrato
fluido que tem uma significativa atividade
anti-inflamatória e antioxidante, privilegia
igualmente a tintura com a toma de, pelo
menos, quarenta gotas diariamente.
Mas para este “cronista”, a melhor
forma de apreciar o maracujá, é cortá-lo
DR
Artigo
raizame seja superficial.
O
maracujá
possui
pectinas,
flavonóides, provitamina A, vitamina
C e diversos ácidos orgânicos. Em
pequeníssimas
quantidades
foram
também detetados alcalóides (ácido
cianídrico) principalmente nas folhas.
A infusão das folhas e das flores (30
g para 1 litro de água) é indicada para
combater a ansiedade, o nervosismo e a
insónia pelas suas propriedades sedativas,
antiespasmódicas e soporíferas. É
também utilizada para as chamadas curas
de desabituação no tocante ao álcool e às
drogas, incluindo o tabagismo, mediante
vigilância médica.
ao meio e, com uma colherzinha, tragar
a sua polpa doce e levemente ácida, de
refinado e inconfundível sabor. Quando
assim penso, a minha mente voa para Riodos-Cedros (Santa Catarina), onde com
bons amigos brasileiros, companheiros
de ideal, degustei com prazer robustos
maracujás, muito maiores do que os
raquíticos que por cá abundam.
Uma referência final ao óleo das
sementes que tem aplicações na
cosmética, especialmente em cremes,
loções, sabonetes, etc.
