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REPORTAGEM
2

União Seixalense aposta n

Celino Cunha Vieira

Sessão solene decorreu no dia 4 de junho, com o salão cheio a aplaudir os 146 anos desta coletividade
profundamente republicana, que foi fundada após a conturbada Guerra Franco-Prussiana que dividiu a Europa
no século XIX, tendo os Partidos Regenerador e Progressista forte adesão em Portugal, dividindo ideologias
quanto à existência do concelho do Seixal.

editorial

Acabou-se o Santo António, está
a chegar o São João e depois temos o
São Pedro com as suas festas populares.
Depois dos constrangimentos de há um
ano com as obras de requalificação no
centro histórico, imaginava-se que em
2017 tudo já estaria concluído. Mas por
este ou aquele motivo – já sobejamente
escalpelizados – vamos ter umas festas
ainda com obras a decorrer. Valha-nos
o vasto programa que este ano conta
com os Anjos, o António Zambujo e
o Herman José, para além de muitos
outros artistas, das bandas das duas
Sociedades, do Festival Náutico com
a presença da Caravela Vera Cruz
fundeada na baía e que poderá ser
visitada, da Feira de Artesanato e da
Feira do Fumeiro, assim como a vasta
oferta gastronómica dos restaurantes
locais, não esquecendo no dia 29, ao
raiar do dia, a emblemática “marcha
das canas” e o acto religioso com a
tradicional procissão de São Pedro pela
tarde.
Finalmente a Câmara Municipal do
Seixal tomou uma firme posição sobre
a poluição provocada pela ex-Siderurgia
Nacional não só na Aldeia de Paio Pires
como também noutras zonas adjacentes,
exigindo as mesmas medidas que desde
há quatro anos um grupo de cidadãos
vem denunciando, constatando-se
assim que existiam razões suficientes
para que desde a primeira hora o
Poder Local tivesse liderado a situação,
evitando aproveitamentos políticos
de quem só aparece em determinadas
ocasiões para se pôr “em bicos de pés”
e tentar retirar benefícios do trabalho
alheio e descomprometido. Como já
foi afirmado, “mais vale tarde, do que
nunca” e por isso é de louvar a atitude
da CMS, esperando-se que com a
legitimidade que lhe assiste, possa de
uma vez por todas resolver este grave
problema que afecta a população.
Começam assim a agitar-se as
hostes partidárias com a apresentação
de candidatos e programas para as
próximas eleições autárquicas, não
existindo grandes novidades em relação
a anos anteriores. Vamos ter mais um
conjunto de promessas, de críticas
ao que foi feito e ao que não foi feito,
de ataques pessoais e políticos, de
escaramuças ideológicas, para depois se
voltar à mesma rotina até aos três meses
que antecedem as eleições de 2021.
Tem sido sempre assim, porque durante
os quatro anos de mandato os eleitores
mal se apercebem que existem outras
ideias e outras formas de governar
uma autarquia. Não é por acaso que
a abstenção é o que é, revelando o
completo desinteresse da maioria dos
potenciais votantes.

A Sociedade Filarmónica União
Seixalense, também designada por "Os
Prussianos", foi fundada a 1 de junho
de 1871, após conturbadas divergências
entre os sócios e músicos do então Grupo
Democrático Timbre Seixalense, uma
coletividade com ideologia monárquica
e extremamente conservadora. Uma boa
parte destes sócios não se conformava com
a extinção do recém-criado concelho do
Seixal, extinção esta apoiada pelo Partido
Regenerador, um dos dois que alternava
no governo de Portugal. Decorria a
Guerra Franco-Prussiana e a tensão
na Europa aumentava entre a França
e a Prússia. Os prussianos invadiram
a França e derrotaram completamente
o exército francês, ao que os franceses,
em ato de desespero, proclamaram a
Comuna, que durou apenas dois meses,
pois os burgueses franceses, que até então
defendiam os direitos do povo, viraram-se
contra o seu próprio povo, ou seja, contra
a Comuna, havendo um mar de sangue
pelo fuzilamento de cerca de vinte mil
operários. Quando a Unão Seixalense
é fundada, o seu cognome passa a ser
"Os Prussianos", pois estavam do lado
do povo e da Comuna, enquanto que a
Timbre Seixalense ganha o cognome de
"Os Franceses" por ser conservadora.
Até ao 25 de abril de 1974, estas duas
filarmónicas mantiveram uma rivalidade
agreste, não se podendo sequer cruzar nas
ruas da vila do Seixal.
No dia 1 de maio de 1974, proclamaram
as pazes no Estádio do Bravo, pois se dum
lado estava Emílio Rebelo pela Timbre
Seixalense e do outro estava José Manuel
Ferreira, presidente da direção da União
Seixalense, ambos perceberam que o
futuro far-se-ia de união, cooperação e
apoio.
Estiveram presentes Maria João
Santos, pela Associação Humanitária
dos Bombeiros Mistos do Concelho do
Seixal, Fernando Santos, pela Sociedade
Filarmónica
Democrática
Timbre
Seixalense, Hélder Rosa, pela Associação
de Coletividades de Cultura e Recreio

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e Publicidade

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do Concelho do Seixal, António Santos,
presidente da União das Freguesias de
Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires
e Joaquim Santos, presidente da Câmara
Municipal do Seixal, para além de
Fernando Simões, Presidente da Direção e
António Palaio, Presidente da Assembleia
Geral da Sociedade Filarmónica União
Seixalense.
Das atividades culturais da Sociedade
Filarmónica União Seixalense, destacase a promoção da cultura através da
banda filarmónica, que mantém em
atividade uma escola de música - Escola
de Música Matias Lucas, que funciona
ininterruptamente desde a sua fundação,
sendo salientado pelo Presidente da
União Seixalense que "sem passado não
há futuro e que só com o agradecimento
e reconhecimento a todos aqueles que
fazem a União Seixalense diariamente se
consegue continuar em frente". Hélder
Rosa mencionou o gosto em ter uma
"histórica centenária coletividade na
Federação Portuguesa das Coletividades
de Cultura e Desporto que continua a
fazer parte do dia-a-dia dos seixalenses e a
contar com a Federação". Fernando Santos
mencionou que a Timbre e a União" são
orgulho dos seixalenses" devido à sua

Director Adjunto: Celino Cunha Vieira TE1218
Directora Comercial: Ângela Rosa
Paginação: Sofia Rosa
Repórter: Fernando Soares Reis CP6261
Colaboradores: Adriana Marçal, Agostinho António Cunha,
Alvaro Giesta, ANIVET - Consultório Veterinário, Dário Codinha,
Fernando Fitas CP2760, Hugo Manuelito, José Henriques, José
Lourenço, João Araújo, Jorge Neves, José Mantas, José Sarmento,
Maria Vitória Afonso, Maria Susana Mexia, Mário Barradas, Miguel

longevidade e papel social, enquanto que
António Santos, pegou num tema mais
complexo: a reorganização das freguesias.
O Presidente da União das Freguesias
de Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio
Pires lembrou que "é caso raro no país
uma freguesia ter quatro filarmónicas
centenárias e que é muito difícil estar a
acompanhar de perto todas elas, pois a
união de freguesias tem uma área imensa
que torna difícil a aproximação diária a
todos", frisando que "ele próprio aprendeu
música nesta casa" e lembrando que o
Seixal tem a tradição das filarmónicas e
das famílias de músicos. O presidente da
Câmara Municipal, demonstrou gosto
pelas "coletividades, pois elas são o espelho
mais sincero do povo", lamentando
que o poder central se "esqueça" das
filarmónicas e associações em geral, mas
que a Câmara Municipal do Seixal tudo
fará para apoiar condignamente, "tendo
apoiado a criação da Sala Desportiva da
União Seixalense e, em breve, começarão
as obras de requalificação da sede".
Foram conferidos à União Seixalense,
ao longo da sua existência, diversas
distinções: Medalha de Louvor, pela
Cruz Vermelha Portuguesa (1926); Grau
de Dama da Ordem de Benemerência,
pelo Presidente da República Óscar
Carmona (14 de novembro de 1935);
Medalha de Instrução e Arte e Diploma
de Generosidade e Filantropia, pela
Federação Portuguesa das Coletividades
de Cultura e Recreio (1956); Medalha
de Honra, pela Câmara Municipal do
Seixal, entre outras.
Em
1971,
no
decurso
das
comemorações do seu centenário, a banda
gravou um disco de vinil por iniciativa da
então Comissão das Comemorações do
Centenário. Em 2001 gravou um CD e em
2005, gravou o “Marés” – o seu segundo
CD, reconhecido internacionalmente
pela qualidade artística das obras
interpretadas, gravando em 2012 o álbum
de passodobles "António Ribeiro Telles".
No decorrer da sessão solene do
146º aniversário da União Seixalense,

Boieiro, Paulo Nascimento, Paulo Silva, Pinhal Dias, Rúben Lopes,
Rui Hélder Feio, Vitor Sarmento.
Impressão: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A.
Tiragem: 15.000 exemplares
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